Centro de Educação
Departamento de Fundamentos
Sócio-Filosóficos da Educação
Departamento de Sociologia
Disciplina: Fundamentos da Educação
BRANDÃO,
Carlos Rodrigues. O que é educação. São Paulo: Brasiliense, 2006.
Em
“O que é educação” Carlos Rodrigues Brandão nos auxilia na compreensão do papel
e a função da escola enquanto instituição social apta para trabalhar nos
sujeitos tudo aquilo que eles precisam para viver e se comportar em sociedade.
Segundo o autor a educação faz parte da vida do sujeito e, portanto ninguém
pode escapar dela.
“Ninguém escapa da educação. Em casa,
na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos
pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender e ensinar.
Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a
vida com a educação” (BRANDÃO, 2006, 07).
Para
o autor misturamos vida com educação sem poder separar uma da outra e é a
educação que vai dando os contornos e fomentando no sujeito tudo o que ele
precisa para uma sociedade que ao nascer ele já encontra pronta e estruturada.
Neste sentido o autor assevera que
“A
educação é um dos meios de que os homens lançam mão para criar e pensar que
tipo de homem e que tipo de sociedade é desejada. Mais do que isso, ela ajuda a
criá-los, através de passar de uns para os outros o saber que os constitui e
legitima. Mais ainda a educação participa do processo de produção de crenças e
idéias, de qualificações e especialidades que envolvem as trocas de símbolos,
bens e poderes que, em conjunto, constroem tipos de sociedades” (BRANDÃO, 2006,
11).
No livro acima citado Brandão continua dizendo
que “a educação acontece pelas formas vivas e comunitárias de ensinar e aprender.
Há esse processo global damos o nome de socialização”. Para este autor, através da educação,
“cada um de nós passa por etapas
sucessivas de inculcação de tipos de categorias gerais, parciais ou
especializadas de saber e habilidade. Elas fazem, em conjunto, o contorno da
identidade, da ideologia e do modo de vida de um grupo social. Elas fazem,
também, do ponto de vista de cada um de nós, aquilo que aos poucos somos,
sabemos, fazemos e amamos” (BRANDÃO, 2006, 23).
Do
exposto, concluímos que segundo as palavras do autor, “a socialização realiza
em sua esfera as necessidades e projetos da sociedade, e realiza, em cada um de
seus membros, grande parte daquilo que eles precisam para serem reconhecidos
como “seus” e para existirem dentro dela” (BRANDÃO, 2006, 23).
Outro
conceito importante advindo do processo de socialização que as gerações
anteriores realiza nos mais jovens inculcando neles tudo o que é necessário
para afirmar nestes a marca de iguais é o que o autor chama de endoculturação.
É dele a explicação do conceito a seguir. Vejamos:
“Ora, no interior de
todos os contextos sociais coletivos de formação do adulto, o processo de
aquisição pessoal de saber, crença e hábito de uma cultura, que funciona sobre
educandos como uma situação pedagógica total, pode ser chamado de
endoculturação” (BRANDÃO, 2006, 23).
Dito
isto, o autor nos ajuda a compreender que
“Tudo
o que existe disponível e criado em uma cultura como conhecimento que se
adquire através da experiência pessoal com o mundo ou com o outro; tudo o que
se aprende de um modo ou de outro faz parte do processo de endoculturação,
através do qual um grupo social aos poucos socializa, em sua cultura, os seus
membros, como tipos de sujeitos sociais” (BRANDÃO, 2006, 25).
Para o autor, “a educação do homem existe por
toda parte e, muito mais do que a escola, é o resultado da ação de todo o meio
sociocultural sobre os seus participantes” (BRANDÃO, 2006, 47). Este conceito
já foi elaborado anteriormente em outras linhas, mas o autor o complementa
dizendo que “é o exercício de viver e conviver que educa. E a escola é apenas
um lugar e um momento provisórios onde isto pode acontecer” (BRANDÃO, 2006, 47).
Para o escritor de “O que é educação” a escola aparece aqui como um espaço,
tempo e lugar não conclusivos do longo processo e ato de educar. Este processo
perpassa toda a vida e nunca se encerra no espaço físico escolar.
Mas
a escola é para todos? Ela e o seu ensino são democráticos? Escola ou empresa?
Perguntas inquietantes que encontramos no livro e merecedoras de respostas
sólidas. Vejamos como o autor responde estas perguntas.
“A política educacional implantada
levou à progressiva desobrigação do Estado com o custeio da educação, e à
expansão do ensino privado. Assim, a educação está aberta à ação dos empresários
do ensino, sujeitas às leis da iniciativa privada, sendo negociada como
mercadoria entre as partes interessadas em vender e comprar, o que revela o
caráter elitista do atual processo educacional no Brasil” (Boletim Nacional das
Associações de Docentes, nº 03 apud
BRANDÃO).
Com
a expansão do ensino privado no país a educação atualmente tem servido aos
interesses de uma classe que faz proveito da escola e fazem dela uma empresa de
compra e venda do saber institucionalizado. Sobre isto continua o autor
“Não é raro que aqui, como em toda
parte, a fala que idealiza a educação esconda, no silêncio do que não diz, os
interesses que pessoas e grupos têm para os seus usos. Pois do ponto de vista
de quem a controla, muitas vezes definir a educação e legislar sobre ela
implica justamente ocultar a parcialidade desses interesses, ou seja, a
realidade de que eles servem a grupos, a classes sociais determinadas, e não
tanto ‘a todos’, ‘à Nação’, ‘aos brasileiros’” (BRANDÃO, 2006, 59).
Mas
qual é a função da educação? Para Brandão
“a
educação, como ideia (a definição, a filosofia), deve ser pensada em nome da
pessoa e, como instituição (a escola, o sistema pedagógico) ou como prática (o
ato de educar), deve ser realizada como um serviço coletivo que se presta a cada
indivíduo, para que ele obtenha dela tudo o que precisa para se desenvolver
individualmente” (BRANDÃO, 2006, 62).
Do
exposto acima fica claro que a educação segundo Brandão
“é uma prática social cujo fim é o
desenvolvimento do que na pessoa humana pode ser aprendido entre os tipos de
saber existentes em uma cultura, para a formação de tipos de sujeitos, de
acordo com as necessidades e exigências de sua sociedade, em um momento da
história de seu próprio desenvolvimento” (BRANDÃO, 2006, 73).
Portanto, a educação é
uma necessidade que garante a continuidade da vida humana, através da
transmissão constante das experiências acumuladas pelo grupo às novas gerações,
que deve cumprir a função social de produzir um ser humano plenamente
desenvolvido.
Discentes:
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