NESTAS ESTRADAS


"Nestas estradas de tantos rostos desconhecidos é sempre bom que deixemos um espaço reservado para a calma. Preconceitos são filhos de nossos olhares apressados. O melhor é ir devagar. Que cada um cuide do que vê. Que cada um cuide do que diz. A razão é simples: o Reino de Deus pode começar ou terminar na palavra que escolhemos dizer. É simples..."

CUIDADO...

Cuidado com os semeadores que não lhe amam. Eles têm o poder de estragar o resultado de muitas coisas.
Cuidado com os semeadores que você não conhece. Há muita maldade escondida em sorrisos sedutores...
Cuidado com aqueles que deixam cair qualquer coisa sobre você, afinal, você merece muito mais que qualquer coisa.
Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar... eles costumam lhe fazer esquecer que você vale à pena...
Cuidado com as vozes que insistem em lhe recordar os seus defeitos... elas costumam prejudicar a sua visão sobre si mesmo.

(Padre Fábio de Melo)

A nossa vida é um caminhar constante. Quem não caminha, fica na inércia e cria raízes.Encontrei este texto do padre Fábio de Melo e fiquei demorando nele por alguns instantes, deixando que as palavras nele escritas pudessem falar algo para mim.

Estamos em uma sociedade estereotipada, com julgamentos e juízos já formulados. Nascemos em uma realidade datada em meio a todo um contexto pré-formado com suas normas e valores morais. São estas normas que regulam os nossos instintos para que não fujamos da ordem estabelecida.

Ainda há pouco estava dando aula em cursinho pré-vestibular onde leciono História Geral e do Brasil e em um determinado momento da aula a partir do conteúdo que estava sendo ministrado, veio em minha mente falar como a sociedade se impõe a nós fazendo com que nos adaptemos ao estabelecido não nos dando a chance de questionar. E se questionamos somos logo taxados de subversivos, conspiradores do enfraquecimento da ordem. E como "falar" o que aparentemente não se pode dizer, logo somos coagidos a nos silenciarmos. Somos amedrontados pela cultura do silêncio e da aceitação passiva diante do nosso agressor (seja ele, a moral, os costumes, as regras, as instituições etc.).

Toda palavra bem dita traz em si um tom afinado de sonoridade. É um uníssono com a verdade revelada na calma e mansidão que não fere e não agride mas ajuda a nortear infundindo em nós a consciência. É preciso demorar em nossos conceitos, compreender o entorno da construção dos mesmos para não nos equivocarmos. Julgamentos tecidos às pressas causa embaraços e pode prejudicar alguém. Por isso, que é preciso saber demorar. Aprender a aprender a compreender em que situação a realidade ou sua aparência é construída para não forçar um conceito que é meu e que não condiz com o fato em si.

Quantas pessoas caminham por aí desanimadas na e da vida pelas sentenças decretadas. Porque foram medidas a partir de um olhar "glaucomizado" ou de uma lente arranhada. Eu meço os outros por quais critérios? E por que medir? Cegos que guiam cegos e que por sua vez dizem o que não vêem. Surdos que falam o que não escutaram. Patronos e Matronas do Santo Ofício que do alto de suas cátedras selecionam as cabras dos cabritos sem saber que também fazem parte do mesmo aprisco.

Não acredito na insurgência de um mundo mais justo e solidário. Onde está a justiça e a solidariedade? Onde está este mundo mais fraterno? Se vc os encontrou ajude-me a também encontrar, não seja egoísta. Parece que estou sendo pessimista, vc pode ter razão, é um direito seu. Posso até mudar de opinião se me convencer o contrário. Mas afinal o que penso mesmo é que este mundo onde o menino colocará sua mão no buraco da cobra e não será picado não existe. Desde que me "conheço como gente" escuto esta falácia da chegada de um mundo onde reine a paz e não haja a guerra.

Pessoas pacíficas já encontrei em minhas andanças, fraternas e algumas solidárias também. Mas um mundo? Este ainda não. Será que é mesmo verdade que temos que padecer neste "mundo" em vista das alegrias que gozaremos no céu? Porque não ser feliz agora? Por que temer em se arriscar na busca da felicidade, algo tão particular que difere de pessoa a pessoa?

Quero ter cuidado para não colher o que semearam para mim.

Quero ter cuidado com os semeadores que não conheço.

Quero ter cuidado com os olhares de quem não me conhece.

Quero ter cuidado em não memorizar as vozes que me sentenciaram.

Por fim, ter sempre cuidado com semeadores, principalmente com aqueles que não conheço, que me olham atravessados e que dizem que Deus os mandou dizer a mim algo que Deus jamais falaria.

Luciano Medrado.

Um comentário:

  1. Lu,

    Esse texto de Pe. Fábio é sempre presente, pelo menos em minha vida. Leio nos olhos de algumas pessoas o julgamento de q eu vivo me escondendo nesse tipo de texto. Talvez sim. Já encontrei muitos semeadores desses pela vida... muita gente já me roubou de mim... já me olharam sem amor... já acreditei nas inverdades tecidas... fiquei ferida por causa disso. E ainda estou me reerguendo. Vamos em frente. Um dia a gente chega! Bj!

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