PARA ONDE ELES FORAM?



Oi. Não dá para compreender logo de início o título não é? Esta pergunta é um questionamento muito preocupante para mim no hoje que acontece aos nossos olhos.

Quero com você chegar até as entranhas desta pergunta para juntos compreendermos o alarme e o absurdo contido nela.

Ainda agorinha ao abrir meu Orkut recebi um scrap que dizia: Me dá um abraço!

Bom, de forma bastante educada respondi a quem me enviou e dizendo para que se sentisse abraçada mesmo que de forma virtual. Mas depois de enviar o scrap retornei ao vídeo do You Tube que chegou a mim por este scrap e demorei um pouco nele.

No vídeo, um homem com um cartaz imenso com um letreiro em bastão "DÁ UM ABRAÇO" caminhava pelas ruas com aquilo suspenso. Muitas eram às pessoas que passavam e ignoravam o tal apelo. Outras nada entendiam imaginando ser uma pegadinha, poucas, porém de fato se aproximavam e abraçavam o homem bem vestido de terno e gravata.

O que esta cena nos leva a pensar? Estamos vivenciando uma época onde os valores mais nobres estão sendo "esfarelados" pelo ativismo insano da nossa torpe sociedade. O utilitarismo chegou ao extremo. A banalização das relações ao estrangulamento. Enquanto escrevo este post, do meu quarto sozinho a digitar, escuto gritos de uma criança chorando, um escândalo horrível, parece até desculpa dizer, providencial. Gritos soltos levados pelo vazio do eco. Ninguém escuta mais. Como uma voz que soa ao deserto assim muitas vezes nos encontramos. Estamos vivendo a ditadura do silêncio. Será uma sentença decretada? Meu Deus que não seja! Por que estão tentando nos silenciar?

Ainda me recordo de um fato que aconteceu comigo bem recente. Estava verificando se na minha página do Orkut havia algum recado para mim. Esta é uma prática cada vez mais comum nos dias de hoje. E assim eu fui vê se alguém tinha deixado algo para mim. Como em um mundo virtualizado nem sempre você tem como saber se quem está teclando com você confere com a realidade dada e contingente, fui movido a perguntar à pessoa que se "apresentava" por meio daquele ícone se ela era de fato uma apresentação estética verídica, ou seja, o que eu queria saber mesmo era se aquela pessoa da foto era realmente ela devido tamanha beleza, e não querendo ser ríspido embora tenha sido interpretado assim fui direto à questão.

Não imaginava receber tamanha resposta mal educada e escorrendo de tanta altivez dizendo ser a pessoa mesmo e que ela não era culpada de ser tão bonita como de fato era e que se eu não acreditava melhor seria excluí-la do meu Orkut e ainda disse: fácil assim.

Não parece mas aquela resposta cravou como uma estaca em meu peito um sentimento de impotência e mal-estar. E fiquei a pensar: Meu Deus como é que pode! Eu não conseguia compreender como "alguém" que eu nem conheço pessoalmente, quem nem é da minha rua, do meu bairro, da minha cidade e nem do meu estado podia deixar-me daquele estado sentindo-me tão mal. Sem querer ser meloso confesso que de noite chorei por causa do mal- estar.

Caindo em mim, tornando-me cônscio da situação pude compreender como estou ( estamos ) fragilizados pela falta de enternecimento, carinho e atenção. Caminhamos por uma via onde encontramos pessoas sem alma. Um acúmulo de sentimentos estão sendo enterrados e apodrecendo nos porões do nosso corpo. Tão simples assim, era a frase que ecoava. Tão simples assim, basta excluir e resolvemos todos os problemas de um mal sucedido "relacionamento".

E o que mais me intrigou depois disso foi em sã consciência perceber que uma "pessoa" repito, que não faz parte do meu mundo próximo e material pôde mexer com meu sentimento de tal forma. Então pus a minha cabeça para raciocinar: Quais os critérios, quais convenções utilizamos para permitirmos ser tão afetados assim por estes torpes sentimentos?

E fica a pergunta: Para onde eles foram?

Luciano Medrado (Graduando em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, Campus de Jequié / BA.)

O vídeo pode ser encontrado em: http://www.youtube.com/watch?v=fq68n_lIOHs

2 comentários:

  1. tb já me senti assim qdo recebi grosserias de pessoas que mal conhecia... é estranho... talvez seja nossa carência de afeto e atenção que esteja sempre aflorada.

    vc se pergutna (e nos pergunta)para onde eles foram... eu me pergunto, onde vamos parar...

    bjão!

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  2. Olá, tudo bem?
    Gostei muito de seus artigos,
    adorei saber que vc tbem fala sobre o Pe Fábio de Melo,o mundo precisa de mais pessoas como vc,
    ti encontrei por acaso pois estava pesquisando sobre Resiliência, na area de pedagogia, parabéns continue assim, abraços!!!!!!!

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