AMOR OU LEGALISMO?

Olá amigos blogueiros, encontrei este texto no Blog da minha amiga Marianne www.textoscontextos.blogspot.com e resolvi postar aqui também, abaixo segue meu comentário acerca do texto. Não é minha intenção ferir e nem lesar ninguém. Exponho apenas minhas elocubrações sobre o tema. Respeito e defendo a opinião de cada pessoa e sei aprender quando o outro pensa diferente de mim. É na troca de idéias sustentadas em argumentações fundamentadas que crescemos. Quem acha que pensa não pensa. Mas quem pensa, argumenta.
Abraço.



"Confesso estar sem jeito de pedir um abraço teu

Tem coisas que a gente desaprende se não faz

Mas hoje não tem jeito, eu preciso estar aqui

Lembrei-me do amor que tens por mim

Durante muito tempo eu busquei seguir a lei

A obediência cega fez refém meu coração

Perdido em tantas regras, eu não soube te ouvir

Aos poucos deixei de ser feliz

Quanta saudade de te ver assim tão perto e sem segredos

Olhar nos olhos sem temer a luz que mostra os meus defeitos

Reconhecer quem sou, reacreditar que posso ser melhor

Teu olhar desperta em mim o desejo de voltar

Recomeçar,reaprender a ser amigo sim

Que seja assim do início ao fim

O AMOR É MINHA LEI!"

(Pe. Fábio de Melo)


Durante muito tempo, ou até ainda hoje também, a Igreja tenta doutrinar seus fiéis pelo "chicote" do medo. Ainda reacionária e coercitiva tenta nos encaixar em legalismos medianos, vindos de "algumas mentes" frustradas e ressequidas. Temo os pregadores que pregam muito legalismo, que apontam demais acusando os outros sem reconhecer que antes de acusar, a causa da acusação pode está neles mesmos. Temo o receio de que um dia a Igreja não gere mais filhos para Deus, se torne estéril, o que quero que não aconteça. Digo isto por ver muitos jovens não gostarem de Jesus porque muitos apresentam Ele, a eles apontando suas mazelas e "traquinagens". Ninguém quer ser amigo de alguém que logo no primeiro encontro "vomita" todo o seu avesso, o pune e o culpa, apontando o dedo, mexendo na ferida e deixando sangrá-la pois não tem como reparar o mal feito. O Deus que conheço e experimento não é assim. Não foi desta forma que Jesus pôde conquistar o coração da samaritana, vá ao texto bíblico e aprenda. Não existe um Deus para cada pessoa. Como se disséssemos: Este é o meu e este é o teu Deus. Não. Não é isto que quero dizer. Minha preocupação é com a imagem de Deus que andam "pintando" ou melhor caricaturando por aí. Os nossos jovens ou uma maioria deles estão perdendo o gosto pelas realidades sagradas, pelo desejo do Eterno que inebriava os grandes místicos. as Igrejas já não falam mais de Céu. Quando as pregações não são cheias de reprimendas, estão sublimadas pelo falatório sem fim, das campanhas, da prosperidade por meio de uma vida cheia de riqueza. Se sou rico é porque Deus é próspero para mim e se não o sou? Não é pretensão minha, mas Deus não pode ser assim. Nietzsche é taxado de ateu mas o que ele quis dizer quando afirmou que o Evangelho morreu na Cruz, não foi "baboseira" como muitos que não o conhecem julgam. Nietzsche nasceu em "berço doutrinal", seu pai era pastor luterano e na época que cresceu, o Deus conhecido e pregado nos púlpitos das Igrejas era vingativo, punitivo e legalista. Em Jesus ele pôde perceber que tudo aquilo que ele ouvia falar de Deus era fruto para marcar o rebanho, tornar os fiéis presas fáceis de manipulação (fiéis de sacristia). O que não foi na época das indulgências? O que dizer do Iluminismo (Luz, saber disseminado), analogicamente a Igreja cria a caricatura de Lúcifer o anjo de Luz (Iluminismo) decaído. Na época, doutrinava os fiéis pelo medo, num tempo onde livros eram proibidos de se ler justamente para que a libertação não acontecesse. Por que naquele tempo a insistência ferrenha no juízo final, na condenação eterna, no inferno? Criou-se então a "teoria infernacionista".
Jean Piaget, biólogo preocupado em conhecer o desenvolvimento cognitivo no homem, certa vez, teceu a seguinte afirmação: as crianças só são capazes de respeitar uma regra se a compreendem. Se não, nunca respeitarão. E se a regra for imposta pela via do medo ou pelo constrangimento, na hora em que ela estiver isolada daquilo, ou daquele que a imputava a regra, ela desfaz, se comporta diferente e foge às mesmas. Por quê? Porque não internalizou como algo compreendido como significativo para si.
O Deus Cristão morreu na Cruz, porque a essência do "Amor" estava em Jesus e os que começaram a propagar em nome dele deturparam o Amor e o trasformaram em legalismo, pecado, culpa, punição. O cristianismo é muito mais do que regras, cumprimentos rituais. Não é o rito pelo rito que salva, não são os mais diversos devocionários e terços rezados que salva, não são as inúmeras orações escritas e até mesmo decoradas que me garantem o céu. Tudo isso só valerá a pena se tiver um profundo significado para quem o faz e se estes instrumentos serem fontes de transformação para si. O que adianta rezar tudo isso se continuar, arrogante, não ser misericordioso, continuar intolerante, não exercitar o perdão, liberá-lo e recebê-lo.
Penso assim, quem pensa diferente tem o seu direito e se não o tem é bom começar a exercê-lo para não engolir "guela" abaixo e à seco tudo o que andam dizendo por aí.

Luciano Medrado.

Um comentário:

  1. Confesso que ultimamente ando em crise... crise religiosa, e não crise de fé. Andei percebendo que a imagem de Deus tecida pelos homens e propagada pelas igrejas ditas "cristãs" pelo mundo, apresenta um Deus castigador e vingativo, que só pune e nunca compreende. A Teologia do Medo (assim eu costumo chamá-la) tem sido disseminada a séculos como uma forma "fácil" de manter fiéis no cristianismo. É como um professor que prende o aluno na sala na hora do intervalo como forma de fazê-lo se comportar... isso pode até mudar o comportamento desse aluno durante todo o ano letivo, mas se o interior da criança não se transforma, não há mérito algum. Da mesma maneira: os discursos recheados de teor medonho, promessas de inferno e condenação podem até funcionar aparentemente; isso acava gerando uma igreja de aparências, de "santinhos" dentro do templo, mas de pessoas completamente diferentes fora dele. Quem sou eu para propor uma nova forma de pensar o cristianismo. Porém, acho que isso deveria ser feito. Paz e bem... adorei o texto!

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