TEMPO DE PROVA, TEMPO DE CRESCIMENTO!


Todos nós passamos por desilusões, frustrações e perdas na vida. Por mais que tetamos racionalizar os nossos sentimentos para não deixar que os mesmos não nos transtornem tantas vezes, nem sempre conseguimos, há algo que escapa ao nosso domínio. Então o coração se enturva, a visão fica opacizada e a tristeza sorrateiramente como fumaça que entra sem pedir licença, se instala dentro de nós. É nesta hora que nos sentimos fracos, impotente e inoperantes, as dúvidas a cerca de tantas coisas insistem em nos inquietar. Mas eu gosto das dúvidas elas nos ajudam a pensar. Pensar como nos apresenta a filosofia é um jeito de interferir no mundo. E isso eu quero, quero ser autêntico, não quero impor meu jeito de pensar, sei q muitos não me acompanharão, às vezes o caminho é solitário. O q vale na vida é termos a certeza de q nunca estamos só. O maior prazer é fazer a linda descoberta de que estamos sempre conosco quando nos ausentamos dos demais. E na solidão da descoberta de si o nosso avesso se torna mais íntimo, mais conhecido, desvelado e quando ficamos desnudos, despossuídos de tudo, nos achamos no que de mais belo somos: humanos. O homem é um ser dotado de liberdade mas para ser de fato livre precisa experimentar o gosto da dúvida e é na dúvida conflituosa q encontramos as respostas necessárias. O conflito nos ajuda a pensar, pena q poucas são as pessoas q chegam a este estágio humano de maturidade.
Bom, me encontrava asim, cheio destas perguntas e reflexões, caminhando no meu deserto, quando recebi um e-mail de um amigo distante, lá de Itororó-BA, moramos juntos no Convento dos Frades Capuchinhos em Vitória da Conquista-BA e depois que desistimos da vida consagrada, cada um tomou o seu "rumo", depois disso só nos encontramos duas vezes. É bom saber que ainda temos amigos. Sinto falta deles. Amizade é encontro e todo encontro é revelador e poucos querem deixar-se revelar. Na medida que o relacionamento fraterno cresce encontramos espaço para arrancar as nossas máscaras. Todo encontro é um doar de si para o outro sem se esgotar na sua identidade, mas infelismente são poucos os amigos que querem fazer esta experiência do encontro, por isso que temos tão poucos amigos. Mas foi justamente este amigo, o Welber, que sinalizou um tempo novo para mim, uma nova forma de enxergar os enfrentamentos e intimidações do real, quando me enviou este e-mail que agora rescrevo na íntegra e espero que o mesmo possa ajudar muitas pessoas que estão passando por problemas semelhante e que depois de terem lido ganhem a vibração necessária de continuar seguindo. Eu não sou de parar, a inércia não é minha companheira, não posso me deixar agalinhar por problemas mesquinhos mas quero aprender com eles. Quero ser águia, sobrevoar o céu mesmo sabendo do risco das alturas. Eis abaixo o texto do e-mail:

“O que faz a vida parecer tão freqüentemente sem sentido a uma pessoa?”


Esta é uma pergunta que você já pode ter se feito durante algum tempo, ou que esteja se fazendo agora... O que para os pássaros é a muda – época em que trocam de plumagem, os tempos difíceis –, a depressão é para os seres humanos.
Talvez tenhamos um conceito muito negativo desta que se tornou a doença do século XX. Por isso, gostaria de propor-lhes uma visão diferenciada, um outro modo de encarar o que para nós possa ser sinônimo apenas de fracasso. Acredito que muitos frutos podem ser colhidos nesse tempo; lembro-me agora de algumas frutas próprias do inverno e de como alegram os dias chuvosos e sombrios. Passada essa época, permanece a lembrança, não das chuvas e do frio, mas dos frutos da estação.


Tipos de depressão:


Porém, antes de falarmos mais sobre este assunto, é imprescindível estabelecer a diferença entre a depressão de caráter endógeno e a depressão decorrente de lutas e angústias, que também podemos chamar de psico-espiritual. Esta definição é necessária, pois o nosso objetivo é tratar apenas desta. As depressões endógenas, podem ser desencadeadas por um fator psicológico, mas são condicionadas bioquimicamente e até hereditariamente alicerçadas. Nesse caso, é preciso uma farmacoterapia adequada e acompanhamento médico. Pode acontecer, inclusive, que esse tipo de depressão não esteja vinculado a nenhuma crise pessoal ou estressor social. Por exemplo, uma pessoa depressiva que traz em sua história familiar a depressão em gerações anteriores, ou que apresenta um déficit de serotonina, quando está livre da crise, consegue dedicar-se ao seu sentido de vida. Mas existem também os casos em que os dois tipos de depressão vêm juntos.

Vejamos agora o que é a depressão psico-espiritual, que tem acometido tantas pessoas, independentemente de faixa etária, nível sócio-econômico, profissional e religioso. Segundo Victor Frankl, psicoterapeuta existencialista, essa depressão é causada por um vazio existencial, decorrente de uma falta de sentido de vida, podendo ser encontrado por trás de uma vida profissional excessiva, no refúgio de uma atividade desportiva, na fuga para o mundo dos romances ou televisão, nos fenômenos psicológicos de massa, no decaimento psicofísico dos aposentados, na necessidade de nunca se deixar descansar ou na febre de novas ações e novas experiências. Esse vazio não chega a ser uma enfermidade, salvo quando acompanhado por sintomas na dimensão psicofísica, mas provoca um quadro depressivo – apatia, desânimo generalizado, desinteresse por tudo ao redor, podendo causar inclusive o suicídio –; adição – desespero frente ao tempo, corre-se atrás de um relógio, sem nunca parar, com receio de enfrentar seu próprio vazio –; e agressividade – pode ser explícita, como a que vemos tomar as manchetes de jornais de todo o mundo, e implícita, presente nos relacionamentos, nas discussões no trânsito etc.).


Desejo de Deus?


Pronto! agora que você já sabe do que se trata a depressão, podemos voltar a falar de um assunto mais interessante: do inverno e dos frutos, dos pássaros e suas plumagens... Você já havia pensado na depressão como algo assim? Olhando-a desta maneira, não nos parece tão terrível, não é mesmo?! Muitos de nós consideramos a depressão um tempo sombrio, uma página vergonhosa de nossa história, uma doença que aleija a alma. Difícil considerá-la um tempo de crescimento, de maturidade, de transformação... Será por causa da pergunta que se faz? Aquela acerca do sentido da vida? Afinal, reconhecer-se confuso, admitir que o mundo não lhe satisfaz, que a felicidade é simples, que o trabalho não lhe preenche, não é lá muito fácil! É preferível não mexer nisso, vestir o luto e ver no que vai dar. Sim ou não?! Não! Vejamos o porquê: a depressão enquanto condição humana, se bem orientada, deve conduzir o ser humano à tomada de consciência da sua própria vida e do seu sentido último (nada de fugir de si mesmo!). Quando isso acontece, estamos falando de maturidade espiritual, uma vez que é reconhecida a necessidade de orientar-se para Alguém que o transcende – (para quem fomos criados), para uma missão a realizar e/ou uma pessoa a conhecer e amar. Isso é próprio do ser humano, é uma lei inscrita em seu coração, não dá para negar esta verdade! Temos desejo de Deus!!!


Tempo de prova


Consideremos, então, a depressão uma prova que o Senhor nos envia. Não são todos os que o Senhor decide provar desta maneira, mas, permito-me dizer, que os escolhidos por Ele são dotados de muita coragem, pois a crise consiste em admitir que se está vazio e que é preciso encher-se; que se tem sede e precisa-se de água, e para isso é preciso romper com muitas coisas, como fez a samaritana. “Deus tem sede que tenhamos sede dele”, já dizia Santo Agostinho. Se conseguirmos entender a depressão desta forma, aceitaremos este meio que o Senhor escolheu para nos amar, e todo o vazio será ocupado por sua Presença que se encarregará de dar sentido à nossa vida. Mas, se buscamos um motivo fora de nós para tamanha tristeza e melancolia, muito pouco Deus poderá fazer por nós, uma vez que nos recusamos aceitar que temos sede dele. Termino com uma citação de Santa Teresinha, intercedendo a Deus por você que passa hoje por esta dor. Não esqueça: Ele não nos prova acima de nossas forças!

“É preciso que Deus nos ame com um amor todo particular para provar-nos desta maneira. Não percamos a provação que o Senhor nos envia, ela é uma mina de ouro a ser explorada, será que vamos perder a ocasião?”



Com carinho,

Luciano Medrado.

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