A FONTE DE TODOS OS DESEJOS DO SER HUMANO É O DESEJO DE SER DESEJADO SEMPRE.


Amigos blogueiros, neste post quero falar de "Desejo", sentimento inerente ao ser humano, fonte propulsora de vitalidade que nos faz mover, ir em direção a alguém ou a alguma coisa ou objetivo. A imagem que escolhi para esta postagem recebi de um e-mail dizendo que era um abraço a mim oferecido. Não quero dizer nada sobre a imagem, deixo para você a responsabilidade para entendê-la. Eu a compreendi de uma forma visto o mundo virtualizado em que vivemos, onde não existe mais o desejo de nos tocarmos, de olhar o outro nos olhos e acariciá-lo na sua real significação. Poxa!!! Já dei algumas dicas, o resto é com a tua inteligência capaz de discernir o perigo do afastamento promovido pelos "orkut's, msn's" e tantos outros. Não que os menos não sejam necessários mas devemos a eles certos cuidados, para não correr o risco de você quem sabe também ouvir uma frase infeliz de um amigo meu para sustentar e se eximir de sua ausência. E dizia:"Podemos estar fisicamente distantes, mas sempre o trago no coração". O que adianta está no coração de alguém, se esta presença não nos leva a uma aproximação real. Onde está o medo de encontrar o outro face a face?Por que esta covardia? Temo os amigos orkutizados e os info-sentimentos que andam se proliferando por aí. Boa leitura!


"A fonte de todos os desejos do ser humano é o desejo de ser desejado sempre".

Esta epígrafe é de um cientista do comportamento humano chamado Lacan, psicanalista francês, nascido em Paris em 1901. Para Lacan, o "Eu" é uma instância de desconhecimento, ilusão e o local onde reside o narcisismo. Ao trabalhar com a idéia de que o ser humano é uma fonte inesgotável e exalante de desejo, aqui também numa perspectiva simbólica, sua afirmação ganha força quando pontua que "todo desejo é sempre desejo do outro", ou numa outra expressão "é a falta que ama". Os sujeitos são devedores permanentes da Falta (a ela assujeitados) que os constitui.
Buscamos a nossa completude segundo Lacan, tentando encontrar no outro o que falta em mim. Não pense que é egoísmo, pois não é. Sempre andarilho, o homem nunca se esgota e nunca se abastece, pois sempre encontra a falta que desencontra. O homem é um ser de busca. Não que não tenha um norte, mas o desejo de sempre buscar é como um alimento que o leva a nunca desistir. Ele é sempre um desejante. Podemos também dizer que eu me completo e vou me constituindo ao longo da vida com tudo aquilo que leio com quem me relaciono com o que penso com o que sinto. É uma rede complexa de inter-retro-constituição-relação com as múltiplas possibilidades sempre modificadas pelo meio sempre em ordem e caos, constituição, equilíbrio e desequilíbrio sempre, o que me faz ser sempre um vir a ser... Um pensamento colocado em ação pode mudar totalmente sua natureza original devido as circunstância do meio que interfere e o modifica.
A estrada, o caminho que percorremos no afã deste encontro com aquilo que nos sacia nunca é regular. O terreno é sempre íngreme, esburacado. Quando morava em Minas Gerais na época em que era missionário e andava por estas estradas do Brasil, conheci uma expressão que designa este tipo de estrada, quando é cheio de lombadas, lá eles dizem que é "costelinha de vaca", engraçado...
Por que estou dizendo tudo isto parecendo que estou me afastando da temática do texto? Digo por que nem sempre o que nós desejamos está sempre ao nosso alcance. Quando parece próximo está, tão distante se apresenta. Cansados de tanto procurar "o desejo de ser desejado", expiramos fatigados, devido a caminhos nem sempre seguros.
Na vida somos engaiolados com os nossos medos, nossas inseguranças, fazendo com que nos coloquemos inertes nesta busca. O medo pode nos alertar frente há um perigo que se aproxima quanto pode também nos paralisar frente a ele. Percebo que ao longo da vida deixamos de romper com muita coisa por causa dele. Então o medo nos faz lembrar das nossas feridas, das nossas dores, dos nossos traumas, das nossas incertezas e inseguranças, dos nossos traumas, nos fadando a ficarmos atrelados a tudo isso e não tomarmos uma iniciativa frente ao novo que sempre surge como uma oportunidade para mudarmos a marcha de tantas coisas na nossa história.
Todo trauma, é uma quebra. Quebra com o que estava aparentemente harmonizado em nossa vida. É uma ruptura no curso da nossa história fazendo com que a seiva da vitalidade não percorra o nosso interior. Precisamos ser curados, eu e você de tantos traumas que nos encurralaram, deixando-nos num beco sem saída.
A vida humana gira em torno do valor. Constantemente precisamos ser aprovados, isso também faz parte da vitalidade do Ego. O ser humano como valor, pérola rara de extrema beleza enlameada por tantas experiências que fizemos ao longo da vida e história comum ou não. Tantas experiências! Nem sempre tão boas assim. Visitados e deixados visitar deixamos a experiência fazer o que quisesse conosco e em muitos casos fomos vitimados e seqüestrados. Assistindo a uma palestra recente do Padre Fábio de Melo na TV Canção Nova, emissora católica situada em Cachoeira Paulista – SP ouvi do padre este questionamento: "Outro dia tive com minha amiga que teve sua irmã seqüestrado por 20 dias, imagine 20 dias uma pessoa sendo tratada como um nada, no escuro. Ali ela devia imaginar: "Será que eles vão pagar o meu resgate? Será que tenho este valor"? O tempo todo passamos da experiência de sair da multidão e ser reconhecido como único. Ninguém deseja ser visto como uma multidão, mas individual. No momento do seqüestro isto vem à tona, será que valho o valor que está sendo cobrado? Os maus tratos do cativeiro minam os conceitos que temos sobre nós mesmo. Não falo do seqüestro do corpo, mas do seqüestro da subjetividade, quando você depara com suas fragilidades e não sabe negociar, e vive como vítima seqüestrada. Quantas pessoas nos metem medo só no olhar, isso não é amor. Quantas pessoas nos reprovam para o cativeiro".
Há pessoas que nos roubam que nos mandam para o cativeiro da solidão, do menosprezo, da "menos valia", minando toda a nossa subjetividade (mundo interior psíquico que é tão fértil e tão valioso para a nossa estruturação e harmonia psicológica, onde o simbólico é a sua maior e mais forte expressão: a ludicidade). Quantas vezes a vida lhe levou para o cativeiro? Eu respondo que a mim, muitas vezes. Quantas pessoas estão cativas porque não tiveram coragem de enfrentar o "seqüestrador", de enfrentar os seus erros e fracassos. Quantos de nós fomos vitimados por pessoas que deixaram suas vozes repressoras ecoarem dentro de nós, causando tantos estragos. Quantas pessoas que entraram em nossa vida causando tantos desajustes?
É preciso que resgatemos este estado de ludicidade, de inteireza profunda do ser humano, onde me coloco num estado de profunda relação com a minha totalidade integrando-a. Lembro-me do filme "A vida é bela". Diante da barbárie enfrentada aquele pai soube ter atitudes lúdicas para que não roubassem de seu filho a esperança, o amor e a vitalidade.

Não se permita ser cativo, eu também não quero.

Não se permita ser vítima, eu também não quero.

Não se permita roubar-lhe seu valor, eu também não quero.

Não se permita deixar que os outros façam o que querem com você. Doeu tanto! Deixou tantas marcas! Eu também não quero. Não queira você.

De resto finalizo com um ditado popular: "Foi-se o anel, mas restam-me os dedos".

Luciano Medrado.

(Graduando em Pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, Campus de Jequié – BA.)

3 comentários:

  1. Caro luciano, muito interessante o seu texto. Após ouvir o Padre Fábioo falar em uma de suas palestras sobre "Lacan e o desejo" fui ao google pra saber mais um pouco e me deparei com o seu blog. Parabéns pelo texto, ele trouxe palavras que servirão para a minha vida.
    Abraços

    Mary.

    ResponderExcluir
  2. Ótimo texto! Abraços alados e bom dia!

    ResponderExcluir
  3. Poxa, entendi totalmente diferente a imagem. Acho que quem te enviou a msg quis dizer que as palavras abraçam ela, suas palavras. Quando lê, é como se sentisse abraçada ou acolhida.

    ResponderExcluir