IRONIAS DA EDUCAÇÃO

Olá amigos leitores, o tempo passa tão depressa e não espera ninguém, ele segue o seu rumo e não se importa nem um pouco se tem alguém que não consegue o acompanhar. Mas de fato a verdade é que nós, é que devemos acompanhar o tempo, claro conservando sempre nossas convicções e posturas.
Desta vez quero abordar aqui um tema que é de meu mais profundo interesse: Educação.
Estudo Pedagogia na Universidade da minha cidade, chamada UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia)estou no 5º semestre e como tenho o meu tempo todo dedicado a pensar sobre educação, gostaria de refletir junto com vc´s as falhas da EDUcAÇÃO. Não estranhe não, não apertei a tecla do caps no PC e depois descuideime-me e o "C" não saiu em caixa alta também.
Quero apontar a inapetência da educAÇÃO. O seu marasmo, as suas conversinhas cheias de "nhem, nhem nhem", discursos engravatadores. Venho apontar suas ironias. Tomarei então como fundamentação teórica da minha argumentação, a obra literária de Pedro Demo, sociólogo brasileiro que dedicou muitas linhas sobre o assunto. A resenha que segue foi uma apresentação que fiz na Universidade na disciplina Didática para fins avaliativos e trago para vc´s na íntegra porque acredito ser de extrema valia pensarmos o que pensou o Pedro Demo.



IRONIAS DA EDUCAÇÃO, MUDANÇA E CONTOS SOBRE MUDANÇA

Etimologicamente ironia vem do grego e significa modo de exprimir-se que consiste em dizer o contrário daquilo que se está pensando como referenda o dicionário Aurélio. É com esta palavra que Pedro Demo utiliza para iniciar a intitulação da sua obra. Ironia vinda da educação.
Descrevendo sua trajetória nas instituições escolares o autor nos leva a viajarmos pelos caminhos contraditórios e muitas vezes irônicos que percorreu no fazer-se contribuinte com sua práxis em meio aos professores deste Brasil.
Nas páginas do livro vamos nos deparar com muitos contos de vigário que urgem por mudanças que regatem o professor-aluno enquanto sujeitos de um processo e fazedores de história.
O livro gira em torno de uma pergunta que intriga, questiona e busca possíveis respostas: Que mais haveria de querer o neoliberalismo?
Será a Pedagogia, corpo docente e discente presa fácil da nova roupagem neoliberalista, globoplanetarista e porque não dizer neocolonizadora?
Nas páginas do livro não encontraremos respostas prontas que solucionem tal questionamento, Pedro Demo em sua sapiência nos conduz ao movimento próprio do ser humano: pensar, questionar, porque todo ser humano é um ser de questionamento e de protesto e se não é precisa despertar para ser. Precisa sair de sua hibernação que o embrutece, o emburreçe e o torna ignorante de si e do mundo enquanto espaço de interferência.
No livro seremos constantemente provocados [provocação aqui em nada refere-se a desmotivação] a questionar e revisitar as nossas práticas enquanto pedagogos que trazem a ousada pretensão de transformação. Mas pedagogia transformadora deveria, para ser minimamente coesa em seu discurso de transformação começando por si mesma. Haja visto ser impossível ser transformadora mantendo-se sempre a mesma. Ironicament a pedagogia avalia mas não quer ser avaliada, questiona mas não suporta quando encontra quem a desestruture, quer inovar, mas tem receios quando precisa quebrar paradigmas. Os seus profissionais por vezes, são os que menos sabem aprender. Suas aulas são mais reprodutivistas do que criativas. Estão repletos de teorias vanguardistas, mas para os outros Todos, em torno da escola, falam que educação e conhecimento são fatores centrais das mudanças mas faz-se necessário saber o que fazer, como fazer e como aplicar este saber, porque sozinho, torna-se absoleto. A educação é o princípio decisivo[ mas não sozinha] da mudança, com a vantagem de portar em si o princípio ético-político. Ela nunca é neutra e apolítica, mesmo engendrada num contexto histórico que a descreve e diz quem é ela continuará sendo espaço de mudança. Mas ela mesma é a primeira a não usar suas teorias de mudança. Que sentido teria tamanha hipocrisia?
Vamos de um extremo a outro: somos totalmente contra o mercado, mas não tomamos a sério a relação inevitável entre educação e mercado, conhecimento como produto de compra e venda para atender a demanda da escola-empresa para o bom rendimento e adequação dos seus alunos-clientes no setor mercantil que os exige sempre mais qualificados. Por isso não passamos do discurso, apreciamos o charme da crítica, declaramo-nos libertários, mas para encobrir o fato de que não temos qualquer compromisso com a práxis. O maior problema, no entanto, estaria no sistema, um termo também vago em que se penduram todas as frustrações profissionais.
Em razão do exposto Demo confere a inabituação dos professores em aprender sistematicamente, pois internalizaram a idéia de que já aprenderam o que tinham para aprender, não compreendem que aprender é aprender continuadamente e agora lhes resta “ensinar”. Nossos educadores animam-se com a idéia de encantar a educação, afirma Demo, mas esquecem-se de que em seu trabalho diário, alimentam um dos ambientes menos encantadores; confundem aprendizagem com motivação para aprendizagem mas na vida e talvez sobretudo aprendemos muitas vezes com aquilo que provoca desprazer, com o que nos dá desgosto, como, por exemplo, freqüentar escola chata com professor que só sabe dar aula reprodutiva, conclui.
Um dos mais comprometedores obstáculos à aprendizagem dos nossos alunos é certamente a má formação do professor. O que mais afeta as nossas crianças é encontrar na escola um profissional que levando-se em conta a sociedade da informação, da tecnologia e do conhecimento, é a rigor “analfabeto”, ou melhor um info-analfabeto.
Intrigante é encontrar professores que não sabem ouvir crítica. Em seus discurso a crítica é fundamental. Apontam que os adversários são acríticos, entretanto fogem dela.Surge então a tendência de teorizar no vazio, saco roto.
Em Ironias da Educação Pedro Demo é veemente em afirmar: “Os professores como regra, estão muito despreparados para a tarefa de fazer o aluno aprender direito; (...) não por conta do sistema, mas porque não sabem aprender. Preferem, então, continuar dando a mesma “aulinha” de sempre, sem admitir que muitos alunos querem apenas esse tipo de aula também para não terem que se dedicar mais. Colocam em suas aulas conteúdos apenas reproduzidos, seduzindo os alunos a que não façam mais do que reproduzir também.
Aprender não é só prazer, exige também, suar a camisa, se expor e suportar contraquestionamento. Aprender é saber pensar, quando se fala tem que saber argumentar. Nada favorece mais ao neoliberalismo do que a ignorância popular. “O sistema não teme pobre que tem fome; teme pobre que sabe pensar; para saber pensar, entretanto, há que virar a escola pelo avesso” (DEMO) A escola não pode ser neutra e apolítica. Inovar não é melhorar a aula, mas superá-la. A aprendizagem de teor político precisa do professor, de estilo maiêutico, fazendo o partejamento da consciência crítica, oportunizando ao aluno aprender não somente aquilo que lhe dá prazer, mas, sobretudo o que o incomoda profundamente. Aprender que o importante da crítica está em seu lado negativo, desconstrutivo e perceber que a exclusão social é sobremaneira resultado da sua imbecilização. A aprendizagem recriativa oportuniza ao alunos argumentarem, contra-argumentarem, questionar o conhecimento existente, dentro de sua faixa etária e nível de desenvolvimento cognitivo.
O professor, como diz Demo, “Não é profeta, nem ‘auleiro’, nem instrutor, mas o ‘parteiro’ principal da cidadania popular.”
Educação transformadora só pode ser aquela que for marcada pela contra-ideologia e capaz de atingir sobretudo o cerne da dinâmica produtiva, buscando manejar o conhecimento na direção dos excluídos. O principal poder de transformação da educação está na capacidade de formar sujeitos capazes de história própria, individual e coletiva, que, dentro de circunstâncias dadas, elaboram competência suficiente para dar sentido alternativo à história, que exige a presença dialética do sujeito.
“O preço do conhecimento é a perda da inocência, ou seja, não se pode mais deixar de ver o mundo e a nós mesmos criticamente.” Uma mente que se abre a um novo conhecimento jamais retorna ao seu estado anterior.
Torres(1998), culpar os professores, até hoje não trouxe qualquer mudança relevante. O neoliberalismo aproveita esta oportunidade mercadológica do conhecimento para encurralá-los.
Se fosse o caso buscar culpados, não seria o professor, porque é sobretudo vítima do sistema, seja em termos de formação insatisfatória, seja em termos de desvalorização salarial.
Urge, pois, resgatar o professor. Qualquer crítica a ele endereçada só pode ter esse objetivo. A crítica não tem por que ser abrandada, desfigurada, contornada, por pretenso compromisso pedagógico com elogios fúteis. Precisa ser cristalina, ostensiva, direta, como compete a profissionais do questionamento. Não se resgata o professor, escondendo seus problemas. Resgatar o professor vem muito antes da sala de informática, do Data Show, do Kit, dos parâmetros curriculares etc., porque tudo isto só funciona nas mãos de um professor satisfatoriamente realizado.
Que mais haveria de querer o neoliberalismo se encontrar uma pedagogia tão inepta?
Resenha do Livro "Ironias da Educação" de Pedro Demo,
realizada pelo discente em Licenciatura Plena em Pedagogia Luciano Medrado, 5º semestre, UESB - Jequié/BA.

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