A MÍSTICA DE SÃO JOÃO DA CRUZ NUMA ABORDAGEM PSICANALISTA - PARTE I


Olá amigos! É com alegria que venho mais uma vez apresentar a vocês mais uma descoberta. Se existe algo em mim, q gosto muito de cultivar é a curiosidade pelo saber. Mas não entenda isso como se eu estivesse aqui fazendo promoção de mim mesmo. É porque sou tarado mesmo por novos conhecimentos, adoro ler, pra você ter uma idéia da minha taração, eu leio 3 ou mai livros simultaneamente (rsrs) Só coisa de tarado mesmo. Mas não sou nenhum "nerd", fica logo avisado.
Bom, para encurtar a nossa conversa, vamos logo ao que nos interessa. Estou com 3 DVD's que tratam da contribuição de São João da Cruz, reformador do Carmelo junto com Santa Teresa D' Ávila, para a psicanálise. Como compreender a mística carmelitana de João da Cruz numa perspectiva psicanalista. Como tudo aquilo que é bom e edifica deve ser partilhado (embora muitos engavetam o seu saber, para q somente ele o tenha) quero partilhar com vocês o que eu pude compreender da Palestra do Dr. Gilberto Safra.
O ser humano é fundamentalmente necessitado de amor. É com esta frase que o Dr. Gilberto introduz a sua colocação aos alunos de pós graduação da PUC - SP. Por isso, a alma humana vive uma eterna tensão na expectativa do encontro com o seu amado que o Cristo, o esposo. Só que este encontro é sempre desfragmentado pelo desencontro. Daí resultar a tensão humana encontro e desemcontro. O ser humano é um ser de constante busca, por isso é um ser de desejo, não pode permanecer inerte, represado naquilo que o impede em ser um ser sempre de abertura. O homem é um eterno caminhante no seu processo de feitura. Mas nunca estamos prontos, sempre em construção e desconstrução num fazer-se contínuo.
A alma humana na sua inserção no mundo é comparada por João da Cruz com uma escrava. É uma alma encarcerada que luta para sair do cativeiro e este [cativeiro] para João da Cruz, é um lugar sempre faltante, um lugar onde a alma adoeçe pela falta de amor. Aqui o místico leva-nos a entender que este cárcere é o corpo, mas em nada ele nega a coporeidade humana. Bem compreendeu isso foi Sta. Terezinha que disse q não podia tornar-se santa senão com a sua e em meio a sua humanidade. Como dizia o filósofo: "É a falta que ama". Nesta situação a alma torna-se inquieta e para superar sua escravidão, ela anseia por este Amor.
A alma humana está sempre encarcerada e aprisionada mas ela é côncia de que precisa ultrapassar o seu cárcere, mas percebe também que para ultrapassar o seu cárcere ela tem que escalar as muralhas dos sentidos, e João da Cruz aponta que para tal conquista é preciso que a alma humana seja sempre caminhante. Caminhar significa, assumir a condição ontológica (desenvolvimento humano), ou seja o ser humano é um peregrino na sua dimensão de devir(tornar-se).
Quando o indivíduo se estanca neste caminho, ou seja quando ele fica tamponado nas coisas criadas, ele adoece e perde a sua capacidade de travessia. Esta alma represada no mundo e que caminha para um Bem só estará coerentemente em sintonia com sua originalidade quando ela reconhecer o seu estado de caminhante. É preciso que ela se desinsta-le porque não encontrará repouso na imanência (coisas terrenas) do mundo.
João da Cruz, nos informa que nesta via, a alma deve ansiar pela santidade, e é incrível o que ele diz: "não é buscar a santidade por cauda da moralidade, mas pelo amor".Continua:" o pecado não é uma interferência moral mas as paixões que interferem na busca do amor. A alma humana peregrina deseja sempre um Bem, e Jõao da Cruz vai nos dizer que este bem procurado tem suas características que são: beleza, bondade e sabedoria, ou seja, o modo pelos quais o ser aparece no horizonte.
Para ele, toda criatura guarda vestígios do Criador, é o q Dionísio Heropagita, definirá como realidade catafática, ou seja, vou te explicar melhor, para que os neurônios não briguem e entrem em colápso (rsrs). O que o Dionísio quer dizer que todo objeto (coisa) presente na natureza é perpassado pelo divino, mas o objeto NÃO É o divino. Simples né e esse tonto complica tudo.
A etimologia da palavra coisa para os russos, significa mensageiro, é neste sentido que o Dionísio faz a sua comparação.
Só que João da Cruz nos leva a entender que quanto mais a alma humana ficar represada nas coisas, se estancar, ela adoecerá e doente fica dispersa. Quantos de nós paramos em tantas coisas e não conseguindo avançar somos afetados por tantos transtornos psíquicos que transtornam a nossa mente nos fazendo adoecer? Eu já tive esta experiência muitas vezes!
São João da Cruz identifica na alma (pisiqué) 3 funções sendo elas a razão, a memória e a vontade.
Só que a alma por está tão confusa devido ao seu adoecimento, acredita que o bem é a coisa, sendo assim ela aprisiona-se na imanência incrementando assim os muros da sua prisão. Então ela passa a idolatrar as coisas, pessoas, situações e não consegue fazer sua travessia.
O homem sedento de amor pode estacionar nas coisas criadas e ficar tamponado, estanque, inerte. A pessoa se estanca ou fetichiza tanto no objeto (confundido com o bem que ela procura) que esta situação de confusão implica um adoecimento psíquico, perdendo a possibilidade de ser caminhante e um ser de abertura.
Por fim, terminando esta I parte encerro com a orientação de João da Cruz:

"É preciso ajudar a alama a sair da condição de escrava e assumir a condição de filha. Deus trata a alma pelo lugar que a alma se coloca. Mas com um gesto de amor, Deus, através da dor faz com que a alma se recorde que a sua condição original é ser filha".


Nossa Senhora, não sei para você, mas tudo isso é porreta viu!!?? Que sabedoria podemos obter nesta união espiritualidade e Psicologia.
Bom, espero que tenham gostado, na segunda parte vamos refletir juntos os danos que a alma pode sofrer se não se aperceber filha. Te espero no nosso próximo encontro.
Um abraço fraterno,
Luciano Medrado.

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