O AMOR DÁ SENTIDO A VIDA





São 02h33 da madrugada, estou aqui com os dedos nas teclas do teclado do computador, encontrando palavras para definir o AMOR, não sei se vou conseguir uma vez que esta palavra anda tão desgastada e muitas vezes vazia de verdadeiro sentido. Mas vamos lá, vejamos o que posso escrever.
Há muito tempo tenho me questionado sobre o que é de fato este sentimento atitude. Mais, muito mais do que sentimento embora o seja, ele também é atitude, decisão. Não posso amar sozinho, o amor só é fecundo quando partilhado. Uma vez escutei que amar é um eterno doar de si, sem se esvaziar. A filosofia Heeiddgeriana afirma que é a falta que ama, ou seja, eu sempre busco no outro aquilo que falta em mim. Mas este tipo de amor não tem nada haver com o amor interesseiro. Assim compreendemos que amor é completude. O amor transmuta-nos, transforma-nos, ou afunda-nos e transtorna-nos (na sua falta). AMOR, palavra que merece resignificado, palavra hoje desgastada, confundida, menosprezada em corações que ainda não descobriram o sentido de amar. Madre Tereza de Calcutá disse uma ocasião que o verdadeiro amor dói. Fiquei a refletir, que espécie de amor é esse que para ser verdadeiro tem que doer? Então entendi o que a Madre queria dizer quando disse amor que é amor tem que doer. Amor é simbiose e quando duas pessoas se amam elas vivem uma eterna cumplicidade, ou seja, quando uma parte não está bem, a outra sente também. Amor doído, compadecido, amor de compaixão, ou seja, um sentir com... padecer junto a... Apenas há uma forma de se ser feliz na vida: amando e sendo amado.
Edigar Morin, sociólogo francês certa vez definiu que o amor dá-nos o êxtase psíquico, e dá-nos o êxtase físico. É alimento para o corpo e para a alma.
Stanislas-Xavier Touchet, 1848-1926, religioso francês convida-nos a refletir o amor dizendo que ele [o amor] são as duas asas da nossa alma, imunes a qualquer golpe de vento.
Quando sentimos amor e simpatia pelos outros, isso faz não apenas com que os outros se sintam amados e estimados, como também ajuda a desenvolver sentimentos internos de paz e felicidade. A necessidade de amor faz parte da nossa existência humana, e resulta da rede de dependência que nos une aos outros.
Necessitamos de amor. Ele dá sentido às nossas vidas. É o combustível que nos anima. Sem ele é difícil suportar os enfrentamentos e intimidações do real, ou amar a vida, como diz Morin.
É esse o amor que nos leva a ver o mundo com outros olhos, e a ver formas de «beleza superior», ou seja, o amor altruísta, aquele que edifica. É poesia cantada, "Se eu não te amasse tanto assim, talvez não visse flores..." Quando amamos alguém de verdade o amor que temos por esta pessoa nos leva a fazê-la exergar a vida e superá-la.
Mas o amor mais cantado, e que mais comentários atrai, envolve a paixão amorosa, o enamoramento, o amor entre homem e mulher, homem e homem, mulher e mulher com todo o encantamento, poesia, grandeza, excepcionalidade, que pode conter.
Quero terminar minha reflexão com as palavras de Thomas Merton quando diz:“ O amor é o nosso verdadeiro destino. Não encontramos o sentido da vida sozinhos, e sim com outro. Não descobrimos o segredo de nossas vidas apenas por meio de estudo e de cálculo em nossas meditações isoladas. O sentido de nossa vida é um segredo que nos tem de ser revelado no amor, por aquele que amamos. E, se esse amor for irreal, o segredo não será encontrado, o sentido jamais se revelará, a mensagem jamais será decodificada. No melhor dos casos, receberemos uma mensagem embaralhada e parcial, que nos enganará e confundirá. Só seremos plenamente reais quando nos permitir-nos amar — seja uma pessoa humana ou Deus. O que nos é pedido é apenas uma coisa: amar; e, se algo pode consegui-lo, é certamente esse amor que há de tornar, tanto a nós quanto o próximo, dignos. De fato, isso é uma das coisas mais importantes em matéria de amor. Não existe neste mundo outra maneira de tornar alguém digno de amor senão amando-o. Logo que alguém reconhece ser amado – se não é tão fraco que não suporte mais ser amado – sente-se instantaneamente transformado e a caminho de ser digno de amor. Procurará, então, corresponder, extraindo das profundezas do seu ser um misterioso valor espiritual, uma identidade nova, chamada a existir pelo poder do amor que lhe é dedicado”.

Com carinho,
Luciano Medrado.



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