INDO AO ENCONTRO


Jacques Lacan pensador da alma humana disse que é a falta que ama. Encontro verdade nesta afirmação. Sou atraído a ir ao encontro do outro porque procuro e encontro nele o que falta em mim. Mas essa falta nos completa. Há quem se aproxime por interesse e estes os mais diversos.
Costumo dizer: "se o outro me ama sente alegria e um estado de paz ao estar comigo". Se me procura e logo se vai é porque sua saciedade estava em alimentar-se do que materialmente tinha eu a oferecer e prontamente atendido, o amor instrumentalizou-se e esvaiu-se e debandou-se. Amor demora, e demora, para conhecer, para enraizar, se não, logo seca e aí morre.
Nada de superficialidades, nada de improviso. Isso não combina com as realidades do amor e da alma humana. Ela é tessitura de eternidade, ela delonga no que faz. Digo isto, pois aprendi que se você quer eternizar as "coisas", os “sentimentos”, as “pessoas” ou o que você faz têm que fazê-las com a alma.
Fazer com a alma é deixar o coração trabalhar. Olhar para trás é bom, permanecer não. O passado é o nosso porão, lá ficam as nossas quinquilharias, mas também um recomeço. Não que tudo tenha sido ruim e entulhamos nossas lembranças lá. O fato é que ainda não estávamos preparados para tais experiências e por isso sofremos.
Hoje acolho nas mãos o sofrimento para dele tratar e ser mais e melhor como ser humano apaziguado com realidades que já não me assombram no escuro do quarto vazio. Eu sigo, não fico pra trás porque nada fica tudo prepara um depois.

Luciano Medrado. (Graduando em Pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, Campus Universitário de Jequié-BA.

Um comentário:

  1. ô lu... q lindo... é interessante como isso é verdade:

    "O fato é que ainda não estávamos preparados para tais experiências e por isso sofremos."

    Isso mostra que não estaremos prontos nunca... pq sofreremos eternamente...

    bjooo!

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