SAUDADE

Eu tenho saudade. E quem não a tem?! Palavra brasileirinha carregada de tantos sentimentos profundos. Trago no peito saudade de tanta coisa, que é impossível enumerar. Sei que todas as coisas passam e que a cada realidade que passa, sempre fica algo de si. Só permanece o que deixou marcas. Estas marcas nem sempre são boas, muitas são dolorosas e insistem em querer aparecer. Tentamos escondê-las, mas não conseguimos. Aqueles que há muito nos conhecem sempre sabem quando as marcas rasgam o véu da nossa alma e transbordam o seu néctar.

É bom às vezes sentirmos saudade. Não saudade nostálgica que estraga a alma e adoece o corpo. É bom sentir saudade quando esta é alimento que nutre uma calorosa amizade, um honesto amor. Aprendi a pensar e compreender que a saudade é também uma forma de ficar. Ficam os momentos legais, as tardes de sol caloroso, as noites frias, as brincadeiras, as conversas, as entregas e cumplicidades. Tudo isso fica porque foi grande e significativo. Nossa mente é seletiva e é de sua própria natureza selecionar e reter tudo aquilo que mais somos afetados.


Ela chega devagarzinho e se instala em nosso peito com toda a sua astúcia e nos inquieta um pouco. E na solidão fala em nós, pedido a personificação das nossas lembranças. Lembranças do cheiro do perfume, do cheiro do Shampoo, da colônia pós-barba, do cheirinho do corpo... é, isso é saudade, sentimento que luta dentro de cada um de nós, brigando por suas reivindicações. Saudade que arma acampamento e parece que não quer mais ir embora até que o motivo da saudade se estanque. Como diz Pablo Neruda: " saudade é amar um passado que ainda não passou e insistir em resistir um futuro que se aproxima".

Quero continuar sentindo saudade. Quero continuar porque quero sentir que amei, que desejei, que concretizei o desejado e não me arrependi nunca de desejá-lo, senti-lo e amá-lo. Isso é humano. E como é bom ser. Assim eu sigo sendo, sem medo nenhum de errar.

Luciano Medrado.

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