DIA INTERNACIONAL DA AMIZADE



Há bastante tempo tenho me questionado o motivo que faz uma pessoa ter tão poucos amigos. Então me recordei que toda relação de amizade é possibilidade de encontro, então entendi o esvaziamento das nossas amizades, poucos querem fazer a experiência do encontro, pois o encontrar-se com o outro é perceber-se nele. Aqui acontece a dimensão do espelhamento. Eu no outro, eu com o outro mas sempre diferente dele, isso é alteridade. Poucos querem ser verdadeiros, amigos verdadeiros estão em falta, poucos tem a coragem de reclinar a cabeça em um ombro amigo e falar da sua história, de ser acolhido no movimento do fazer-se por meio dos processos inerentes a nossa condição. por meio das mais variadas experiências. Aí então, corro o risco de ser aceito ou rejeitado. Jesus não fazia assim, ele primeiro acolhia para depois conquistar. Permitia que as pessoas se aproximassem sem receio, porque para Jesus o mais importante é a minha história que muitas vezes não revela o que está velado no meu comportamento e atitude exteriorizados. Só verdadeiramente ama alguém quem é capaz de compreendê-lo, o que não significa ser conveniente com os seus "desvios". O verdadeiro amigo é aquele que uma vez recebido à devida licença de entrar na vida do outro tem a obrigação de tornar essa vida mais e melhor, mais humana e mais divina.
É uma preocupação que trago constantemente e em cada relacionamento coloco-me diante deste questionamento: Quais as marcas que eu deixo na vida de quem passo? Isso me preocupa sabe por quê? Porque a edificação e destruição do outro também passa na maneira como me relaciono com este outro.
Outro questionamento que faço é: O que estou permitindo as pessoas esquecerem em mim, ao passar na minha vida?
Uma vez, o Padre Fábio de Melo, em um dos seus programas Direção Espiritual na Canção Nova, disse que a dor ou alegria de um sentimento tem a duração que a gente permite. Aqui compreendo que ele não está falando da negação do sentir, mas o que fazer depois com o sentimento, que direcionamento dar a eles, como canalizá-los e sublimá-los para que os mesmos, principalmente os sentimentos de perda e de dor que transtornam nosso corpo fazendo-nos adoecer se tornem uma partícula, como essas do átomo, carregada de energia potencializada que nos direcione para termos a sabedoria de perceber que uma dor pode nos fazer cair ou levantar, a sabedoria reside em saber como me coloco, qual a minha postura frente a essa dor. Resignação ou Resiliência são dois caminhos. Resignação seria aceitar o sofrimento pelo sofrimento e nada aprender com ele. Resiliência é colocar-se diante do sofrimento e por meio dele encontrar força necessária para enfrentá-lo e descobrir que por meio dele alcançamos maturidade.
"A gente não faz amigos, reconhece-os", como dizia Vinícius de Moraes. Um bom amigo é, quem sabe, nosso anjo da guarda, porque ele está sempre ao nosso lado, mesmo estando distante, fisicamente. Ser amigo é dar sem nada exigir em troca, é compartilhar os bons e os maus momentos da vida, é saber escutar nosso silêncio, pois ele escuta nosso coração. Um amigo ilumina nossas vidas, porque ele é sempre generoso e solidário. Mas um amigo de verdade não é só aquele que nos diz palavras doces e agradáveis, e, sim, aquele que também nos diz quando estamos errados, não no intuito de nos ferir, pelo contrário, seu objetivo é sempre nos guiar para um bom caminho. Quando verdadeiros, os laços de amizade são fortes e eternos. Um amigo é para a vida toda. Há uma lenda sobre a amizade, de autor desconhecido, que traduz bem o espírito de solidariedade e compaixão que existe nesse sentimento: "Dizem que Deus convidou um rabino para conhecer o céu e o inferno. Foram primeiro ao inferno. Ao abrirem a porta, viram uma sala cujo centro havia um caldeirão onde se cozinhava uma suculenta sopa. Em volta dela, estavam sentadas pessoas famintas e desesperadas, cada uma delas segurava uma colher de cabo tão comprida que lhes permitia alcançar o caldeirão, mas não suas próprias bocas. O Sofrimento era imenso. Em seguida, Deus levou o rabino para conhecer o céu. Entraram em uma sala, idêntica a primeira, pois havia o mesmo caldeirão, as mesmas pessoas sentadas em volta, as colheres de cabo comprido. A diferença é que todos estavam saciados. Eu não compreendo. - disse o rabino - Porque as pessoas aqui estão felizes, enquanto na outra sala morrem de aflição, se é tudo igual? Deus sorriu e respondeu: Você não percebeu? É porque aqui eles aprenderam a dar comida uns aos outros." Se você tem um bom amigo, cultive-o, porque a amizade é, sem dúvida, o maior dos tesouros que podemos ter na vida. Por isso não esqueça nunca os 10 mandamentos da amizade, que são:
1. Converse com as pessoas. Nada há de tão agradável quanto uma palavra de saudação.
2. Sorria para as pessoas. O sorriso manifesta alegria. Não custa nada para quem o dá e faz nascer a esperança em quem o recebe.
3. Seja amigo, prestativo. Se você quiser ter amigos, seja amigo.
4. Seja cordial e simples. Coloque o coração em primeiro lugar, quando você conversa e dialoga com as pessoas.
5. Procure interessar-se pelos outros. Muitas vezes é muito mais importante escutar do que falar.
6. Procure elogiar, animar, incentivar. Seja muito reservado ao criticar.
7. Respeite os sentimentos dos outros. Não procure impor suas idéias.Lembre-se de que os outros também têm a sua verdade.
8. Preocupe-se com os problemas dos outros. A solidariedade nas hora difíceis e de sofrimentos faz nascer amizades eternas.
9. Seja responsável e procure ajudar. O que vale na vida é o que fazemos pelos outros. Servir é o verdadeiro sentido da vida.
10. Toda a amizade verdadeira leva ao encontro com Deus. Nenhuma amizade humana dura, se Deus não estiver presente.
Obrigado pela tua amizade e Feliz dia do Amigo.
Luciano Medrado.

Um comentário:

  1. Lu... belíssimo texto! Concordo plenamente. Lendo-o, encontrei vários motivos que fazem uma pessoa ter tão poucos amigos. Resolvi listar dois deles.

    1. O primeiro deve-se ao fato da pessoa não perceber a outra primeiro como HUMANA, para depois percebe-la como AMIGA. Eu tenho essa dificuldade. Talvez pelo fato de enxergar-me no outro... ver nele minhas fraquezas, meus pecados, meus mais secretos segredos de fracasso e dor.

    2. Amigo é aquele a quem a gente entrega nossa intimidade... sabe tudo sobre nós. E essa palavrinha chave [intimidade]acaba se tornando uma faca de dois gumes dentro de uma relação, pq às vezes é interpretada de forma errada. E ao invés de usá-la para construir laços cada vez mais e adentrar-se no outro, eu a uso como uma arma, que fere desnecessariamente. Não estou me referindo ás "broncas", figuras indispensaveis no processo de amadurecimento de qualquer relação, mas à comentários desnecessários que tantas vezes não condizem nem com o momento, nem com o estado de espírito da pessoa, nem com a história de vida da mesma. No fundo essa "incoragem" existe como defesa.

    Termino este breve comentário com um trecho retirado de uma das músicas de Ziza Fernandes, frase que nunca saiu do meu pensamento e eu procuro coloca-la em pratica, embora nem sempre consiga. Ela serve como guia das nossas relaçoes:

    "TODA VERDADE DITA SEM AMOR É COMO UMA FLECHA QUE SÓ CAUSA DOR, VAI MACHUCANDO DEM TER PERMISSÃO, VAI SUFOCANDO UM OUTRO CORAÇÃO

    QUEM AMA ESPERA A HORA DE FALAR, NÃO SE APRESSA E SABE PONDERAR... SEMPRE HÁ UM LADO QUE NÃO É O SEU E QUE NÃO REVELA O QUE AINDA NÃO CRESCEU."

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